domingo, 24 de maio de 2020









ESQUADRÃO DE RECONHECIMENTO FOX 3431
(EREC 3431)

A VERDADEIRA HISTÓRIA

Ao longo de um ano iremos contar a verdadeira história de uma unidade de cavalaria motorizada do Exército Português destacada para África, mais propriamente para a então província ultramarina da Guiné, de Agosto de 1971 a Outubro de 1973
Assim, na última semana de cada mês, será editado, neste blog, um capítulo da história verídica, vívida por mais de uma centena de jovens que, em poucos meses, viram o seu futuro completamente alterado e alicerçado numa incerteza, cuja melhor das hipóteses seria o regresso na vertical, à sua terra de origem, e a pior na horizontal.
Nos doze capítulos que compõem a narrativa iremos abordar tudo aquilo de que nos lembramos e conhecemos, sem rodeios, inibições, traumas ou complexos.
Não temos que nos envergonhar nem penitenciar por aquilo que fizemos. Eramos militares e cumprimos o nosso dever. Depois, como civis, a história foi outra.


sexta-feira, 22 de maio de 2020





GUINÉ-BISSAU

Qualquer coisinha serve para especular 

A brincadeira de determinada comunicação social portuguesa com a Guiné-Bissau continua.
Agora é a vez do "Expresso" que sob um título  "Grupo armado rapta deputado na Guiné-Bissau"
conta a "estorinha" de um hipotético rapto levado a cabo perto de Bissau.
Segundo o jornalista guineense que redigiu a notícia "Um deputado da Guiné-Bissau terá sido raptado esta sexta-feira perto da capital do país, noticia a Rádio Capital FM, de Bissau".
Aqui temos uma notícia extraordinária, produzida com base numa mensagem de uma rádio local em que, a mesma rádio, entrevista um familiar da pertença vítima.
Para contar o incidente o Expresso ocupou cinco ou seis linhas do seu precioso jornal, dependendo do formato usado pelo leitor. Para extrapolar o caso para o âmbito político e especulativo, onde associa um eventual rapto a um golpe do partido do deputado, APU/PDGB, para evitar que que aquele votasse favoravelmente no PAIGC para formar o novo governo, o que está a ser discutido no Parlamento guineense, o jornal dispensa uma área considerável onde conta todo o processo de apoios e desapoios ao Presidente da República e, até a forma como este tomou posse, volta à ribalta.
Não foram ouvidas as autoridades locais para saber se a família ou amigos apresentaram queixa deste eventual acontecimento e muito menos se existe qualquer investigação.
Não estou a colocar em causa se o deputado foi ou não raptado. Não estou em Bissau e desconheço o que se passou, apenas critico o formato da notícia, a sua objectividade e o suporte muito pouco credível da mesma sem o mínimo de investigação jornalística.
Mais uma notícia, que tem como suporte uma série de suposições e de especulações, com o objectivo de criar instabilidade, numa fase em que deveria reinar a calma e o bom senso para permitir que o Parlamento decida o que for melhor para o País.
Não há duvida que o Expresso prestou, com esta notícia, um péssimo serviço à comunicação social portuguesa que nos países africanos de língua portuguesa vai somando o descrédito, enquanto que deve ter prestado um bom serviço lá para os lados de Sacavém. 
Coisas da Terra Coisas da Gente
Fernando Gomes



domingo, 17 de maio de 2020





PATÉTICO DOENTIO E ...............


Os ataques às novas autoridades guineenses, especialmente ao seu Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, saído das eleições em Dezembro de 2019, por parte da comunicação social portuguesa, com especial destaque para o jornal "Público", continuam de forma grosseira e sem respeitar os princípios fundamentais do jornalismo democrático.
As mais recentes notícias fazem alarde a um hipotético relatório de uma ONG de nome, Iniciativa Global contra a Criminalidade Transnacional Organizada (GI-TOC). Segundo essa ONG a "Rede criminal militar responsável pelo tráfico na Guiné-Bissau está a ser reconstruída".
Analisando detalhadamente esta notícia tiramos a seguinte conclusão:
- Não existe na Guiné-Bissau qualquer elemento isento e independente que possa representar esta ONG (GI-TOC). Logo a ONG não conhece o que na realidade se passa no País.
- Qualquer informação prestada à referida ONG só poderá ter origem nos ressabiados do PAIGC e do seu autoproclamado exilado líder (ainda).
- O jornalista que redige a notícia nunca foi à Guiné-Bissau, não conhece o povo guineense e muito menos a realidade do País. Escreve com base no que lhe dizem os dois amigos guineenses do Facebook, e do que lê no blog de quem apoiou a campanha do candidato derrotado às eleições presidenciais, logo "toca de ouvido".
Portanto, as reportagens do "Público" tem o valor que tem, e só existirão enquanto o banco de Sacavém tiver dinheiro. O mesmo se aplica à ONG em causa.
Enquanto Aristides Gomes não voltar a entrar no Palácio do Governo não haverá lanchas nem aviões a desembarcar fardos de droga na Guiné-Bissau.
Uma pequena nota de rodapé:
Na 1ª parte do filme, a actriz principal fugia do seu país de origem onde era perseguida politicamente. Aguardo agora a 2ª parte onde, a mesma figura, enfrenta a justiça do país para onde fugiu e da qual conseguiu obter a nacionalidade.
Como será que o argumentista da história vai sair desta?
Coisas da Terra Coisas da Gente
Fernando Gomes



quinta-feira, 14 de maio de 2020

GUINÉ-BISSAU

AMEAÇA DE GREVE NO HOSPITAL SIMÃO MENDES


O Sindicato do Pessoal Contratado da Saúde fez saber durante o dia de ontem, 13/05/2020, que está disposto a decretar uma greve do pessoal que trabalha no principal hospital de Bissau, caso não seja resolvido urgentemente o pagamento dos salários em atraso aos profissionais que trabalham naquele hospital.
Segundo o porta-voz do Sindicato, o pessoal da saúde, representado por aquela associação, não recebe salário desde Outubro de 2019.
Não se entende a atitude deste Sindicato considerando o seguinte:
- Porquê a reclamação ao fim de sete meses sem salário e não ao fim de dois , três ou quatro?
- Porquê a reclamação não foi feita ao anterior governo, que esteve em funções até Fevereiro de 2020 e cujo seu ministro das finanças, Geraldo Martins, afirmou, numa entrevista efectuada por Cândida Pinto no Programa Causas e Efeitos, que o seu governo tinha deixado todos os salários pagos até ao final do mês de Janeiro de 2020?
Porquê ameaçar com greve quando o País enfrenta uma pandemia sem paralelo e o actual governo apenas está no poder desde o início de Março?
A estas perguntas apenas os responsáveis do sindicato em causa poderão responder.
Todos temos direito a receber o nosso salário quando trabalhamos mas sejamos coerentes.
Ainda há quem não tenha digerido os resultados das eleições presidenciais.
Coisas da Terra Coisas da Gente
Fernando Gomes




PANDEMIA E TEIMOSIA

Como é do conhecimento geral a humanidade está a ser atacada por um inimigo que não olha a nomes nem ao dinheiro. Escusam de tentar subornar que não adianta. Se não tomarem as devidas precauções ele ataca mesmo e desconhecemos o resultado final, mesmo com o auxílio dos bons serviços dos profissionais de saúde.
E já que estamos a falar dos profissionais de saúde, estejam eles onde estiverem, aqui vai novamente a minha admiração e agradecimento a todos aqueles que, colocando em risco a sua própria vida, continuam dia e noite a zelar pela saúde de todos nós.
Também, como todos sabem, nunca ouvimos um profissional de saúde menosprezar esta pandemia que está a provocar milhares de vítimas mortais nos quatro cantos do mundo.
O perigo de infecção é bem real, a sua velocidade de propagação é enorme e a sua letalidade é tremenda.
Todo este preâmbulo bem a propósito de tudo o que observo directamente em Portugal, ou nos países africanos de expressão portuguesa, através das redes sociais.
No caso português a facilidade com que algumas pessoas, demonstrando um elevado sentido de irresponsabilidade, desrespeitam as leis criadas pelo governo, que têm como objectivo evitar o contágio através do contacto social, é aterrador, não só porque demonstram o desprezo que manifestam pelo seu semelhante mas principalmente pela ignorância que evidenciam.
Desde há muito que afirmo que a ignorância é a pior doença que o ser humano pode enfrentar e as atitudes de alguns vem confirmar a minha opinião.
Quem privilegia as festas de aniversário, os encontros com amigos, os bailaricos e todo o tipo de festas e reuniões por puro prazer, pode estar a assinar a sua sentença de morte e a das pessoas com quem convive.
Nos países africanos a situação não é diferente, embora aqui exista alguma falta de informação e sensibilização, já que é mais complexo fazer chegar a mensagem ao público alvo por falta de meios.
De qualquer forma é necessário estar permanentemente a analisar todo o processo e a sua envolvência, para efectuar alterações de estratégia, o mais rapidamente possível, desde que tal se justifique.
Em Angola as autoridades de defesa e segurança optaram por criar cercos sanitários aos bairros com mais infectados e uma atitude mais musculada para com os infractores, o que parece estar a resultar, basta analisar o baixo número de casos registados, do que ao Covid-19 diz respeito
Moçambique está com graves problemas, pois não está a conseguir ter uma política comum de ataque à pandemia, principalmente no norte do país onde não controla uma grande superfície, sistematicamente atacada pelos insurrectos do Daesch e sem resposta à altura das forças de defesa moçambicanas, que ninguém sabe onde param.
A Guiné-Bissau está a braços com uma contestação que tem origem na desinformação levada a cabo por quem ainda não conseguiu digerir a derrota na recente eleição presidencial.
Aproveitando a ignorância de alguns menos esclarecidos, manipulam os vendedores e compradores nos mercados, especialmente no Bandim, para criarem um clima de instabilidade.
A dinamização e activação de outros mercados, que se encontravam adormecidos ou mesmo desactivados, melhorou a situação mas é necessário tomar outras medidas já que neste momento a número de infectados aproxima-se do milhar.
Cabo Verde e São Tomé e Príncipe estão a lutar com todos os meios que dispõem e aparentam ter o controlo da situação.
Volto aqui a afirmar a necessidade das organizações internacionais apoiarem estes países, o mais urgente possível, pois caso contrário poderemos estar a assistir ao início de uma catástrofe sem precedentes.
União Africana, CEDEAO, CPLP. ONU, OMS, Caritas Internacional e muitas outras organizações, têm a obrigação humanitária de socorrer rapidamente o povo africano.
Se África foi o berço da Humanidade, não pode vir a ser o seu cemitério.
Coisas da Terra Coisas da Gente
Fernando Gomes




segunda-feira, 11 de maio de 2020





PORQUE SERÁ?

Que determinados órgãos da comunicação social portuguesa estão tão interessados num contencioso existente entre o Ministério Público da Guiné-Bissau e a senhora Ruth Monteiro, ex-ministra da Justiça daquele país? 
Segundo informações do MP guineense, Ruth Monteiro terá recusado entregar as viaturas, que lhe foram destinadas aquando do exercício do seu cargo de Ministra da Justiça, após o término do seu mandato, interrompido como consequência da exoneração do governo de Aristides Gomes, decretado pelo actual Presidente da República da Guiné-Bissau.
Como recusasse devolver as viaturas, pertença do Estado Guineense, logo um bem público e não privado, o MP decretou que Ruth Monteiro não poderia ausentar-se para fora do País enquanto não efectuasse a entrega dos referidos bens.
Esta decisão foi aproveitada pela ex-ministra para, ardilosamente, levar o contencioso, que já tinha acontecido com outros ex-ministros, para o campo da perseguição política, considerando-se, também, vítima de uma injustiça, organizada pelo governo e Presidente da República, que inclusive a impediam de viajar para Portugal, para o que argumentava ser cidadã portuguesa.
Este caso, que analisado juridicamente, é do foro interno da justiça guineense, já que Ruth Monteiro desempenhava as funções de ministra guineense e não portuguesa.
Porém este contencioso foi também aproveitado, por alguns jornalistas portugueses, para criarem mais um caso de caça às bruxas movido por Umaro Sissoco Embaló, novo PR guineense, contra os anteriores detentores do poder.
Sem investigarem o passado de Ruth Monteiro, pelo menos em Portugal onde já tinha demonstrado toda a sua habilidade para conseguir viaturas a custo zero, montaram uma história de terror num país que tem as cadeias cheias de presos políticos.






Na verdade a cidadã guineense, ou portuguesa?, acabou por ser autorizada pelo próprio Presidente da República guineense a ausentar-se do País com destino a Portugal.
Então porque será que alguns jornalistas portugueses estão tão interessados em contar "estórias" falsas sobre as novas autoridades guineenses sem sequer respeitar o princípio do contraditório?
Enquanto os leitores pensam nos motivos que têm levado determinada comunicação social portuguesa, após a tomada de posse de Umaro Sissoco Embaló, a criar fake news, voltarei a abordar esta temática num futuro próximo com dados concretos para ver se acertaram.
Coisas da Terra Coisas da Gente
Fernando Gomes

domingo, 10 de maio de 2020





CPLP

Afinal onde estás e  para que serves?


Os dois últimos meses têm sido muito complicados para todos nós, direi mesmo que, para alguns, têm sido dolorosos ou mesmo catastróficos.
Enquanto a Europa vai tentando ultrapassar a pandemia alicerçada num Serviço Nacional de Saúde que, com mais ou menos meios, vai conseguindo minorar os estragos, provocados por um inimigo invisível, graças aos profissionais de saúde que com competência e coragem vão acabar por sair vencedores.
Essa mesma Europa debruça-se, agora, sobre como ultrapassar o tremendo problema económico que a todos aflige, principalmente os países mais pobres. Este é um desafio crucial para a União Europeia que vai ser posta à prova para demonstrar a sua coesão e sentido de interajuda, caso contrário será o seu fim. É certo que já foi criado um fundo de empréstimo para acorrer a situações mais dramáticas, mas é muito pouco para acudir a milhares de famílias que não têm dinheiro para comer e estão a ser auxiliadas por uma rede de emergência alimentar. Não menos grave é a situação de milhares de empresas que foram obrigadas a encerrar portas e, quando a pandemia passar, podem não ter meios para voltar a laborar . Sem os apoios necessários estas empresas poderão criar uma nova catástrofe, ao encerrar e provocar uma onda de milhões de desempregados.
Só uma vontade forte dos países mais ricos poderá evitar a desagregação da União Europeia, tal como hoje a conhecemos.
Não podia porém esquecer os países africanos de expressão portuguesa que, neste momento, também vivem uma situação não menos grave do que a Europa.
Embora com uma taxa de letalidade inferior à europeia, talvez pela natureza do seu clima, na verdade a sua situação não é melhor, já que lutam no seu dia a dia com adversidades, que vão desde à falta de infraestruturas na área da saúde aos constrangimentos financeiros para enfrentarem a pandemia e as suas consequências.
Ora se os países europeus podem recorrer à União Europeia, onde presentemente se trava uma acesa discussão que permita criar os auxílios necessários, a quem recorrem os países de expressão portuguesa?
Como é do conhecimento geral existe uma organização que dá pelo nome de Comunidade de Países de Língua Portuguesa, CPLP.
É sabido que a maioria dos países que compõem a organização enfrenta praticamente os mesmos problemas. Falta de meios técnicos e económicos para combater a pandemia, mas ainda há algum espaço de manobra na Comunidade. A Guiné Equatorial e Timor demonstraram, nos últimos tempos, ter meios financeiros para socorrer países amigos em dificuldade. Nada melhor do que investirem nos membros da CPLP que estão em dificuldade e, assim também, reafirmarem uma presença positiva na organização.
Quanto ao apoio técnico, competirá a Portugal, muito elogiado pelo mundo fora pela estratégia e meios empregues no combate ao covid-19, auxiliar os países que necessitarem e solicitarem o apoio que estiver ao seu alcance.
Ora, se de facto há contactos entre diversos países, desconhece-se qual a actividade e a estratégia da Organização para auxiliar os seus membros com dificuldades.
Será que as quotas pagas pelos estados membros estão apenas destinadas a pagar os salários principescos, as viagens em executiva e as ajudas de custo em hotéis de cinco estrelas?
É sabido que a Comunidade, nos últimos anos, não tem primado pelo espírito de iniciativa e pela dinâmica, tão necessária a uma organização desta índole, o que motivou o seu ostracismo por parte de alguns membros. Porém estamos a atravessar uma nova época em que a solidariedade, o espírito de entreajuda e a inovação estão na ordem do dia, pelo que será altura ideal para a CPLP ressurgir das cinzas e mostrar o que vale, caso contrário será mesmo para perguntar: CPLP afinal onde estás e para que serves?
Coisas da Terra Coisas da Gente
Fernando Gomes