segunda-feira, 30 de março de 2020




MUNDO

Coronavírus


Faço um apelo, a todos quantos se servem deste blog, para que respeitem as indicações dadas pelas autoridades dos países onde se encontram e que se destinem a precaver o contágio de um vírus que está a enfraquecer, ou mesmo eliminar, a raça humana.
Sei que muito boa gente continua a conviver com amigos em festas ou jantaradas longe dos olhares das autoridades, para evitarem ser incomodados, ou mesmo detidos, pelas autoridades locais.
Tenho a certeza absoluta que se os transgressores presenciassem o sofrimento dos doentes infectados pelo vírus, que se encontram internados nos hospitais, em especial nos cuidados intensivos, mudariam radicalmente de atitude.
Dirijo-me particularmente aos meus irmãos guineenses, onde os cuidados de saúde são mais frágeis e as comunicações nem sempre chegam aos seus destinatários, para que além de cumprirem as directivas das autoridades, evitem aglomerações, reuniões com várias pessoas, mantenham a distância aconselhável, cerca de 1,5 metros, para outros interlocutores e apenas recebam em vossas casas os núcleos familiares, quanto mais curtos melhor. Os cuidados de higiene são também fundamentais, privilegiando a frequente lavagem das mãos e da roupa, a desinfecção de produtos e equipamentos que entrem em vossas casas e a cozedura completa dos alimentos que compõem as vossas refeições.
Durante as próximas semanas não deixem os vossos filhos andarem a brincar em grupos nem frequentarem a casa dos vizinhos.
Não estou a duvidar dos vossos costumes de higiene nem pretendo dar qualquer lição nessa vertente, apenas lembro princípios que podem contribuir para salvar as nossas vidas.
Se existe alguém que disponha de planos de contingência que permitam controlar a doença espero que os faça chegar rapidamente às autoridades de todos os países do mundo, porque mesmo as super potências ainda não conseguiram controlar e muito menos evitar a pandemia.
Por fim deixo aqui os links de dois vídeos. O primeiro feito por um português que nos dá uma ideia do mundo actual. O segundo é para nos criar uns momentos de boa disposição e ver como podemos distrair os outros mesmo quando estamos de quarentena.
Já agora lembrem-se que nos vossos hospitais e nos de todo o mundo estão médicos e enfermeiros dispostos a dar a vida por todos nós. Vamos agradecer-lhes e acima de tudo respeitá-los.
Um grande abraço, saúde para todos. Não deixem que o vírus vos apanhe.

https://youtu.be/bUZIp_PKeZ0

https://www.youtube.com/watch?v=giDttMU-k00

Coisas da Terra, Coisas da Gente.
Fernando Gomes



quarta-feira, 25 de março de 2020





GUINÉ-BISSAU

STJ  A NOVELA


Já lá vão 84 dias após a CNE divulgar os primeiros resultados que deram a vitória ao candidato nº2 Umaro Sissoco Embaló.
Logo após começou a novela da contestação com a conivência do Supremo Tribunal de Justiça, STJ.
Dia após dia, semana após semana e, agora, mês após mês, o STJ continua a inventar todos os subterfúgios para justificar o injustificável.
A estratégia do STJ era a de arrastar indefinidamente a decisão sobre o candidato vencedor das eleições presidenciais e assim ir perpetuando no poder o governo de Aristides Gomes, controlado pelo conselheiro especial, DSP.
Quanto ao então Presidente da República, José Mário Vaz, não existia qualquer problema já que tinham conseguido que a CEDEAO lhe retirasse praticamente todos os poderes inerentes à presidência.
A investidura de Umaro Sissoco Embaló, no passado dia 27 de Fevereiro, foi um rude golpe na estratégia idealizada e agora os elementos do STJ não sabem o que fazer, já que assumiram compromissos que agora não conseguem cumprir.
Até quando vão inventar que não podem reunir no tribunal por estar cercado pelos militares? Será que andam com alucinações e já confundem os habituais seguranças com militares?
Até quando vão manter a novela para continuarem a dar à comunidade internacional uma imagem distorcida da realidade?
Creio que, agora, muitos dos que criticaram Sissoco Embaló por não ter ficado à espera das decisões do STJ, que nunca iriam chegar, já devem ter alterado o juízo que então fizeram.
Entretanto a comunidade internacional está a braços com um enorme problema, chamado coronavírus, enquanto a maior parte dos elementos que compõem o STJ vão fazendo a sua quarentena bem longe da Guiné-Bissau.
Coisas da Terra, Coisas da Gente
Fernando Gomes


terça-feira, 24 de março de 2020

GUINÉ-BISSAU

O AUTOPROCLAMADO

Tenho dedicado os últimos dias a analisar os ataques, que têm surgido de diferentes quadrantes, ao Presidente da República da Guiné-Bissau e algumas respostas que o PR tem dado, aproveitando a presença de alguns jornalistas que, mais tarde, efectuam analises que, em alguns casos, parecem encomendas de quem está aflito e pretende, por todos os meios, destabilizar o processo de recuperação de um País que tem sido muito penalizado por oportunistas que desejam enriquecer à custa do povo.
Um dos mais activos agitadores tem sido, sem surpresas, o autoproclamado exilado, Domingos Simões Pereira, candidato derrotado nas eleições para Presidente da República da Guiné-Bissau.
Assumindo uma atitude de vitimização, DSP, como também é conhecido, fugiu do seu País pensando, talvez, que o actual Presidente da República, eleito pela maioria do povo guineense, lhe fizesse o mesmo que ele,DSP, se prepararia para fazer caso vencesse as eleições.
É certo que DSP tem um passado que não lhe permite estar de consciência tranquila, como o processo de resgate dos bancos privados ou da devastação das florestas do País, entre outros, quando era Primeiro-ministro.
Escudado sempre pelos cargos conseguidos, de forma directa ou indirecta, nos sucessivos governos do PAIGC, que lhe permitiam ter imunidade para evitar ser ouvido pelo Ministério Público, viu esse estatuto alterado pela nova situação política no País, com a consequente perda de influência do seu partido.
Antes que as autoridades guineenses o interpelassem DSP autoproclamou-se refugiado em Portugal e recolheu-se no seu luxuoso apartamento situado junto ao rio Tejo, numa das zonas mais caras de Lisboa.
A partir do seu covil vai destilando o seu ódio de mau perdedor, através de discursos falaciosos dirigidos ao povo guineense, em particular aos seus ainda seguidores, já que tem a noção que aos restantes guineenses não engana.
Com falinhas mansas vai tentando aquilo que fez nos últimos anos, enganar os guineenses.
Acusa as actuais autoridades da Guiné-Bissau de perseguirem e exercerem violência sobre os elementos que formavam o anterior governo e sobre todos aqueles que não estão ao lado do Presidente da República.
O vídeo que se segue bem demonstrar que o velho ditado tem sempre razão: a mentira tem a perna curta.
Carregue no link e analise quem defende a violência e a perseguição a quem não pactua com o iluminado. 
Após ouvir esta declaração só é possível dizer que a formação do empregado e do patrão é muito semelhante. 
Não há qualquer paralelismo entre a Guiné-Bissau e, por exemplo, a Venezuela.
Enquanto que no primeiro o PR diz não às perseguições e à violência nem à expulsão de jornalistas, no segundo prendem-se pessoas por apoiarem a oposição, há presos políticos, desaparecem figuras da oposição e os jornalistas são detidos.
Na Venezuela o líder da oposição, Juan Guaidó, dá a cara, é agredido, mas continua junto do seu povo. Na Guiné-Bissau quem devia dar a cara, se diz a verdade, também devia estar junto dos seus apoiantes, mas não, está em Sacavém a fazer aquilo que bem sabe. Tentar manipular os poucos que ainda acreditam que venceu as eleições.
Coisas da Terra, Coisas da Gente
Fernando Gomes


https://m.soundcloud.com/didinhocasimiro/victor-abilio-fonseca-nhaga-faz-ameacas-de-morte-a-fernando-casimiro



domingo, 22 de março de 2020

NOTÍCIAS DO MUNDO

NEM TUDO VAI MAL

E quando tudo parece que vai de mal a pior eis que surge uma luz ao fundo do túnel que reacende a esperança do ser humano em dias melhores.
Num hospital de Madrid, capital espanhola, um doente nos cuidados intensivos recupera e a equipa médica retira-lhe os tubos de ventilação, assistência e suporte de vida. É o primeiro caso neste hospital e em Madrid pelo que as palmas de toda a equipa clínica demonstram bem quanto isso significa para todos os que tentam por qualquer meio derrotar o Coronavírus.



As imagens deste vídeo emocionam qualquer ser humano pois, pode significar o início da vitória da humanidade sobre o inimigo invisível, que talvez tenha sido criado por seres humanos sem escrúpulos.
Coisas da Terra, Coisas da Gente
Fernando Gomes







GUINÉ-BISSAU/PORTUGAL

O ABSURDO 


Um médico de origem guineense, com dupla nacionalidade, a trabalhar no hospital Santa Maria em Lisboa, está mais preocupado com o seu partido, PAIGC, do que com o coronavírus,também conhecido por Covid-19.
Quando um profissional de saúde deveria estar com o pensamento no que está a fazer e, com base na experiência que está a ter com a gravíssima situação de saúde pública que se vive em Portugal, aconselhar as autoridades sanitárias guineenses para a estratégia a adoptar, na área da saúde pública, solta toda a sua frustração política e esquece a sua formação técnica para destilar o seu veneno e demonstrar a sua péssima formação como homem.
Um indivíduo que aconselha a expulsão do partido da actual ministra dos Negócios Estrangeiros da Guiné-Bissau, Suzi Barbosa, em vez de aconselhar o partido a tomar atitudes pró-activas, antes que a pandemia entre no País, não merece que lhe chamem médico e muito menos homem.
Coisas da Terra, Coisas da Gente
Fernando Gomes

segunda-feira, 16 de março de 2020

GUINÉ-BISSAU

ONCE UPON A TIME

(Parte 1)

Assumi o compromisso, com os leitores deste blogue, que abordaria, num futuro próximo, as queixas de violência que supostamente, os profissionais de comunicação social estavam a ser alvo na Guiné-Bissau.
Muito sinceramente o que vou escrever em seguida é bastante doloroso para mim já que levantar questões sobre o rigoroso cumprimento dos princípios éticos e deontológicos por parte de profissionais do mesmo ramo é complicado para quem quer que seja.
Porém, o compromisso que assumi com o público, que tem no jornalista os seus olhos, ouvidos e boca, como se no local estivesse presente, o significa que acredita no profissional de informação que lhe transmite uma imagem que, para o leitor, ouvinte ou telespectador, é real e autêntica, pelo que merece todo o nosso empenho, dedicação e, acima de tudo, verdade.
Para ilustrar o que hoje em dia se passa na Guiné-Bissau, quanto à cobertura jornalística, tenho de recuar alguns anos no tempo para que o leitor deste blog viaje comigo e acompanhe o trabalho do jornalista no terreno.
Nos últimos meses de 1997 começou a ser instalada delegação da RTP África em Bissau. Após os trabalhos de construção civil, necessários para adaptar um antigo restaurante, Nam Tchit, na baixa da cidade, iniciou-se a montagem técnica do estúdio, régie e estação terrena de satélite.
Abro aqui um pequeno parêntesis para dizer que a primeira escolha, para instalação da delegação, recaiu sobre a antiga residência do governador da época colonial, que se encontrava praticamente em ruínas e foi restaurada pela RTP, após acordo com as autoridades guineenses. Depois de totalmente recuperado, o edifício viria a ser cobiçado por alguém que impossibilitou a montagem da delegação naquele local e motivou a consequente mudança para outro espaço, mas isso será abordado numa próxima oportunidade.
Voltando à delegação a montagem ia avançando, a equipa de profissionais estava praticamente constituída e a ligação ao satélite estaria operacional nos próximos dez dias, já que era necessário completar o contrato com a Intelsat para efectuar os ensaios finais que possibilitariam que o sinal de televisão chegasse à régie final da RTP, através da Marconi, instalada no edifício sede na Av. 5 de Outubro em Lisboa.
Porém, o impensável aconteceu. No dia 7 de Junho de 1998, cerca das 05,00 horas da manhã, começaram a ouvir-se os primeiros tiros daquilo que viria a transformar-se num dos golpes de estado mais violentos e sangrentos de que há memória em África.
O Exército guineense, comandado pelo Chefe de Estado Maior das Forças Armadas, General Ansumane Mané,  revoltou-se contra o Presidente da República Nino Vieira e deu origem a uma guerra civil que viria a marcar profundamente o futuro do País.
Nessa altura, o trabalho da delegação da RTP África foi fundamental para dar a conhecer ao mundo o que se estava a passar no País.
A cidade de Bissau ficou praticamente sitiada e o trabalho dos jornalistas era constantemente levado a cabo de baixo de fogo. 
Ao fim de três dias a equipa de profissionais da RTP tinha praticamente desaparecido apenas fiquei com a jornalista guineense, Gilda Casimiro, que sempre me acompanhou até ser retirada pela RTP para Lisboa.
Durante os dias que se seguiram assisti e reportei a chegada das tropas senegalesas que vieram apoiar o Presidente Nino, que até então apenas contava com as forças da Marinha guineense.
Os bombardeamentos à cidade de Bissau eram constantes e as respostas a partir da Amura também.
No primeiro dia transmiti imagens do carro que transportava Rachid Saiegh e Eugénio Spain que viriam a ser mortos após ataque das forças de Ansumane, quando se dirigiam ao aeroporto para preparar a segurança do Presidente da República, que mais tarde deveria viajar para o exterior, o que não veio a acontecer.
Foram essas as primeiras imagens que deram a conhecer ao mundo o que se estava a passar na Guiné-Bissau. Fiz as imagens e o texto, a Gilda escondeu a cassete na carteira para o caso de sermos interceptados.
Após a exibição das imagens, por várias cadeias de televisão, o assessor de comunicação do Presidente Nino, Barnabé Gomes, veio perguntar-me se tinha sido eu que tinha enviado as imagens e como as tinha conseguido. Como desconhecia qual seria a reacção neguei pelo que Barnabé atribuiu a captação de imagem aos satélites americanos.
Nos dias que se seguiram reportei as cenas de guerra que se iam sucedendo entre as tropas da auto denominada Junta Militar e as forças fiéis a Nino Vieira apoiadas pelas forças da Guiné Conakry e do Senegal, que entretanto chegaram por via marítima.
Durante os primeiros dois dias ouvi a versão e justificações do confronto por parte do super ministro de Nino Vieira, João Cardoso. 
Como a cidade de Bissau estava sitiada por terra, senti a obrigação de ouvir a outra parte e desloquei-me, utilizando picadas e bolanhas que começavam junto da aldeia SOS, para atingir a zona do aeroporto já controlada pela Junta Militar.
A determinada altura fui interceptado por uma patrulha da Junta que me interrogou sobre a minha presença e objectivos. Após explicação levaram-me para uma zona onde estava o capitão da Força Aérea, Manuel "Mina", então porta-voz da Junta. Aceitou a entrevista por mim pretendida que começou a ser realizada no exterior de um restaurante em frente aos estaleiros da Soares da Costa, porém como de repente começamos a ser bombardeados apressa-mo-nos  a recolher num pequeno edifício, onde estava instalada a estação de rádio "Voz da Junta Militar" tendo completado a entrevista com imagens da emissora e dos seus profissionais.
Manuel "Mina" pretendia algumas informações sobre o que estava a acontecer no interior da cidade em especial do posicionamento das forças leais a Nino Vieira, o que eu recusei liminarmente.
Após a chegada a Bissau também fui abordado por elementos da confiança do Presidente Nino no sentido de obterem dados sobre o "outro lado", a resposta foi a mesma.
A partir de determinada altura o delegado da Agência Lusa, Adalberto Rosa, solicitou apoio logístico para se mudar para a delegação da RTP, já que o seu escritório/residência tinha sofrido estragos devido aos bombardeamentos. Desde aí trabalhamos em conjunto na troca de informações até à sua ida para Lisboa.
Produzi reportagens sobre a brutalidade dos bombardeamentos de um lado e do outro com mortos nos vão de escada da "Casa Escada" ou com mulheres e crianças a desaparecerem arrastadas pela corrente do Geba, durante a tentativa de fuga do teatro de guerra.
Apesar de toda a violência, e de ter sido detido por três vezes pelas tropas senegalesas, não me queixei a ninguém.
Muito mais há para contar, tal como a fuga de civis no Ponta de Sagres, tudo aquilo que a rodeou e nunca foi contado, ou a chegada dos fuzileiros portugueses para a evacuação no Barrio, ou ainda a história dos bebés RTP.
Tudo isso ficará para outra ocasião, agora apenas ficou a posição de um jornalista que quando se despediu de Nino Vieira e de Ansumane Mané, para regressar a Portugal, foi reconhecido por ambas as partes como rigoroso imparcial e verdadeiro.
 Este é o trabalho dos jornalistas, quem não está disponível para enfrentar determinados desafios, está à espera que todos sejam simpáticos, mesmo quando por vezes fazemos perguntas inconvenientes e não obtemos as respostas desejadas, ou pura e simplesmente não nos respondem, não podemos ir a correr fazer queixinhas às ligas dos direitos humanos ou aos titulares das pastas da comunicação social.
O jornalismo sério e honesto tem os seus riscos e não é para virgens ofendidas.
Quem não está bem muda de profissão.
Coisas da Terra Coisas da Gente
Fernando Gomes




  

domingo, 15 de março de 2020


GUINÉ-BISSAU


CONDOLÊNCIAS


Tomei hoje conhecimento da morte por doença de Sola N'Quilim Na Bichita, líder do PRS que soube manter o partido como um dos mais importantes do País, mesmo após o desaparecimento do carismático líder Kumba Yalá.
À família enlutada, e a todos os militantes e simpatizantes do PRS, apresento as minhas condolências e desejo que tenham o discernimento necessário para continuar o engrandecimento do partido para bem da continuação do processo democrático da Guiné-Bissau, conforme os desejos dos vossos antigos líderes.
Coisas da Terra Coisas da Gente
Fernando Gomes